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O micvê escavado na rocha foi descoberto sob uma camada de destruição

Às vésperas do jejum de 10 de Tevet: testemunho da destruição de Jerusalém há cerca de 2.000 anos

Às vésperas do 10 de Tevet:
Um micvê de purificação ritual, datado do final do período do Segundo Templo, foi descoberto em escavações arqueológicas sob a esplanada do Muro Ocidental.

O micvê, escavado na rocha, foi encontrado sob uma camada de destruição — um testemunho dos acontecimentos da destruição de Jerusalém há aproximadamente 2.000 anos • As escavações da Autoridade de Antiguidades de Israel e da Fundação do Patrimônio do Muro Ocidental fazem parte do esforço para revelar o passado glorioso de Jerusalém.

Um micvê de purificação ritual escavado na rocha, datado do final do período do Segundo Templo e contendo vestígios de cinzas que testemunham a destruição do Templo, foi descoberto nos últimos dias durante escavações conduzidas pela Autoridade de Antiguidades de Israel e pela Fundação do Patrimônio do Muro Ocidental, sob a esplanada do Muro Ocidental. A descoberta integra o processo de revelação do rico passado histórico de Jerusalém.

O micvê tem formato retangular: 3,05 m de comprimento, 1,35 m de largura e 1,85 m de altura. Ele é escavado na rocha e suas paredes são revestidas com reboco. Na parte sul, foram descobertos quatro degraus talhados na rocha que conduzem ao seu interior. A estrutura antiga foi encontrada selada sob uma camada de destruição do período do Segundo Templo, datada do ano 70 da era comum.

Dentro dessa camada, que continha cinzas queimadas como evidência da destruição, foram encontrados numerosos fragmentos de cerâmica, bem como utensílios de pedra característicos da população judaica que vivia na cidade às vésperas da destruição.

As escavações sob a esplanada do Muro Ocidental, onde o micvê foi descoberto, localizam-se nas proximidades do local do antigo Templo e das principais entradas que conduziam a ele há cerca de 2.000 anos — a Grande Ponte ao norte e o Arco de Robinson ao sul. Na área, também foram encontradas outras evidências de atividades relacionadas à pureza ritual, como outros micvaot, utensílios de pedra e mais achados.

Pesquisadores da Autoridade de Antiguidades de Israel estimam que o micvê tenha sido utilizado pelos judeus que viviam na região, bem como pelos numerosos peregrinos que frequentavam o local e o Templo.

“É importante lembrar que Jerusalém era uma cidade do Templo”, explica Ari Levy, diretor da escavação pela Autoridade de Antiguidades de Israel. “Como tal, muitos aspectos da vida cotidiana eram adaptados a essa realidade, o que se refletia especialmente na rigorosa observância das leis de pureza e impureza pelos habitantes da cidade e por seus líderes. Nesse contexto, foi cunhada a expressão: ‘A pureza se espalhou em Israel’. Entre os achados arqueológicos mais marcantes que representam esse fenômeno destacam-se os micvaot e os utensílios de pedra, muitos dos quais foram descobertos em escavações por toda a cidade e seus arredores. O uso de utensílios de pedra se deve a razões haláchicas, pois, segundo a lei judaica, a pedra — ao contrário da cerâmica e do metal — não contrai impureza ritual, permitindo seu uso prolongado e repetido.”

Segundo o ministro do Patrimônio, rabino Amichai Eliyahu:

“A descoberta deste micvê sob a esplanada do Muro Ocidental reforça nossa compreensão de como a vida religiosa e a vida cotidiana estavam profundamente entrelaçadas em Jerusalém nos tempos do Templo. Essa descoberta emocionante, feita pouco antes do jejum de 10 de Tevet, destaca a importância da continuidade das escavações arqueológicas e das pesquisas em Jerusalém, bem como nosso dever de preservar essa memória histórica para as futuras gerações.”

Segundo o diretor-geral da Fundação do Patrimônio do Muro Ocidental, Mordechai (Soli) Eliav:

“A descoberta de um micvê do período do Segundo Templo sob a esplanada do Muro Ocidental, contendo em sua base cinzas da destruição, testemunha de forma contundente a capacidade do povo de Israel de passar da impureza à pureza, da destruição à renovação.”

Crédito das fotos: Emil Aladjem, Autoridade de Antiguidades de Israel

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